terça-feira, 22 de novembro de 2016

A CAPELA DE PORTO SALVO

                                     Local onde ficava a capela de Porto Salvo, num mapa de 1898



A Capela de Porto Salvo
Matosinhos, por força da amputação urbana que sofreu para construção do porto de Leixões, perdeu quase todo o seu centro histórico, restando meia dúzia de casas nas ruas á volta da Igreja matriz.
Por outro lado, para alargamento de ruas, as sucessivas vereações camarárias, desde o último quartel do séc XIX, não hesitou em demolir numerosas capelas e outros monumentos.
Não deve ser alheio a esta afoita demolição, não só a obtenção de receita com a venda dos materiais e respectivo recheio mas, e principalmente, o facto de os edis serem todos (ou quase) naturais de outras terras, a quem os valores e história local pouco lhes diziam.
Faça-se justiça ao leceiro Eng. Pinto de Oliveira, o primeiro presidente da Camara que se interessou pela preservação do património, que ainda se podia salvar.
Hoje, que os tempos estão de feição ao turismo, em que Matosinhos dispõe de uma recém e monumental estação marítima de passageiros, vê-os desembarcar e passar em direcção ao Porto, pois aqui pouco tem a oferecer. Contenta-se o município em embolsar uma taxinha de desembarque, e pouco mais. Acresce, a propósito, que mesmo os que por cá passeiam, a pé ou nos autocarros turísticos, encontram o principal monumento da cidade quase sempre fechado: a Igreja matriz. E quanto ao restante, especialmente na parte norte da cidade, mercado municipal e envolventes, é a tristeza e desmazelo que se vê.
Posto isto, trago hoje um apontamento sobre a demolição da capela de Porto Salvo. Situava-se na rua Dr. José Ventura, antes Rua da Igreja, no entroncamento com a Rua do Mestre, hoje Rua Dr. Forbes Bessa, no pequeno largo ainda existente.
Foi demolida em 1914 por se considerar que era um impedimento ao trânsito.
O jornal O Badalo, na sua edição de 01-11-1914, anunciava a venda dos bens e materias provenientes dessa capela. Quem os terá comprado?
Até ao momento, não encontrei qualquer registo fotográfico dessa capela.
 

Proximo artigo- Viscondes de S. Carlos e Matosinhos.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

POSTAIS COM HISTÓRIA 10 - CENTRAL HOTEL





POSTAIS  COM HISTÓRIA 08



Publico mais um postal comercial, desta vez do Central Hotel, então sito no n.º 19 de Rua Brito Capelo.

È datado de 1 de Agosto de 1916 e endereçado á Fábrica de Licores Âncora, cujos escritórios comerciais se situavam na Rua do Alecrim, e fábrica na Rua de S. Cyro, 23 em Lisboa.

O remetente é um dos caixeiros-viajantes da empresa a dar notícia dos negócios que angariou.

Era diretor, e proprietário da firma, Leopoldo Wagner. Era filho de Ernesto Wagner, originário da saxónia, marceneiro e músico de grande qualidade. Em 1848, em sociedade com Carlos Augusto Habel, fundou em Portugal a primeira fábrica portuguesa de pianos. Era um notável trompetista, tendo sido professor daquele instrumento junto do rei D. Luís, o qual nutria por ele uma afeição muito especial e em 1849 nomeou-o Músico da Real Câmara. Ernesto Wagner foi, também professor no Conservatório Real de Lisboa, lecionando a cadeira de instrumentos metálicos. Na sua época foi o único reparador de instrumentos de corda que existiu em Portugal.

Na década de 40 do século XIX, Leopoldo Wagner fundou a Fábrica de Licores Âncora a qual tinha sede no Largo Marquês de Nisa, em Xabregas, prédio entretanto demolido.

Esta fábrica produziu alguns dos produtos que eram líderes nas suas categorias, nomeadamente o absinto. Fabricava ponche, rum, genebra, licor de pêssego, triplice, curação de hollanda, anis, licor de ouro, entre tantos outros. Os cartazes e os rótulos da Âncora eram de uma beleza incontornável. Houve sempre uma preocupação da elaboração e registo das marcas, dos modelos das garrafas, dos rótulos e publicidade da "Fábrica Âncora, destilação a vapor, xaropes espirituosos e licores"
Nos anos 80 do século passado encerrou devido ás novas regras da distribuição de bebidas, sendo transformado num antiquário que vendeu parte do espólio.

O Central Hotel começou a funcionar em Agosto de 1904, por iniciativa de José Alves de Brito e Francisco Xavier Gouveia, proprietários do Café Central, que se situava no prédio contíguo.

Foi demolido nos fins dos anos 40 do séc. passado, sendo construído, por Edmundo Ferreira, um novo edifício destinado ao mesmo ramo de actividade: O Hotel Porto-Mar, com o seu sempre recordado Café.

O Central Hotel, anteriormente propriedade de Mello, Braga & Barbosa, pertencia a Tomás Alves, nesta época.

Em 1916 praticava os seguintes preços:

Diárias: 1$000, 1$200 e 1$500 reis

Almoços: 500 reis;

Jantares: 600 reis.

Em 1934, segundo o Guia de Leixões, anunciava estes preços:

  34 quartos

  Diárias – 25$00, 30$00 e 40$00

  Criados ou chauffeurs – 15$00 (incluídas 3 refeições)

  Quarto – 10$00

  Almoço – 12$00

  Jantar – 15$00

  Banho frio  - 2$50

  Banho quente – 5$00

  Pequeno almoço – 3$00

  No local onde se situava o Central Hotel ergue-se hoje o edifício do Hotel Porto Mar.

Imagens - Anúncio no Jornal A Verdade, de 16-11-1916; Sala de Jantar do Central Hotel, do Guia de Leixões, 1934; Postal comercial do Central Hotel

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Alberto de Oliveira








O Dr. Alberto de Oliveira, tal como muitos outros do Porto, passava a temporada de Verão em Matosinhos, onde seus pais tinham uma casa sobranceira ao braço salgado do Rio Leça, do lado de Matosinhos, portanto. O braço salgado do rio Leça ia até á ponte Tavares.
Era uma casa em forma de chalet, cujas traseiras davam para o rio Leça.
Na imagem, vê-se a casa a que o texto se refere, em tom mais escuro e cujas traseiras vão até ao rio.
Alberto de Oliveira e António Nobre são os dois amigos a que se refere a Rua dos Dois amigos, em Leça da Palmeira.




sexta-feira, 7 de agosto de 2015

PROCISSÂO DO SENHOR DOS ENFERMOS DE 1955




A procissão do Senhor dos Enfermos, em 15 de Maio de 1955

     Esta procissão, que penso já não se realizar, destinava-se a visitar as pessoas doentes, deixando-lhes dinheiro, aos mais necessitados, e umas pétalas de flores.
       No ano em que fiz a comunhão solene, em 1968, participei na procissão desse ano, levando uma salva de prata com pétalas de flores, deixando algumas num prato que os doentes tinham na mesinha de cabeceira para o efeito.
       Publiquei anteriormente uma imagem doutra procissão, de 1950. Esta refere-se á realizada em 15 de Maio de 1955. Não sei precisar a rua, de momento, embora me pareça a rua Roberto Ivens.
       Alguém sabe identificar alguma pessoa na imagem?

segunda-feira, 27 de julho de 2015

O GRANDE CIRCO ROYAL EM MATOSINHOS - 1957


O GRANDE CIRCO ROYAL EM MATOSINHOS, em 1957.

 Entre os papeis velhos encontrei um prospecto datado de 26 de Junho de 1957, publicitando um espectáculo do Circo Royal, quando esteve em Matosinhos. Anunciava no programa ursos da Germânia e pombos amestrados. Infelizmente, mesmo pesquisando na imprensa local, não me foi possível determinar a que dia se refere o "hoje" do prospecto, nem o espaço temporal que cá permaneceu. Alguém se lembra?
O Circo Royal ainda existe, contando mais de 70 anos de idade.

quinta-feira, 5 de março de 2015

POSTAIS COM HISTÓRIA 09

POSTAIS COM HISTÓRIA Por Américo Freitas A Família Cartelas, proprietários agrícolas, é antiga em Matosinhos, e composta de numerosos membros. Alguns deles assumiram funções relevantes, tanto no município como nas instituições locais (vd. Viver em Matosinhos – 1850-1910, António J. Gomes) O postal de hoje é dirigido a um dos membros da família Cartelas, Margarida Cartelas, moradora na então, e hoje desaparecida, Praça Passos Manuel, ou a Alameda, como era mais conhecida. Após alguma pesquisa, não tenho a certeza quem é a destinatária, pois aparecem várias Margaridas nesta família, embora em diferentes épocas. Era, e é, vulgar as filhas tomarem o mesmo nome das mães, das avós e tias, dificultando imenso uma correcta identificação. De nome Margarida encontrei várias, como referi : José Cartelas Vieira tinha uma irmã, Margarida Cartelas Vieira (Guida pequena). Joaquim Luís Cartelas Vieira e Margarida da Silva Vieira Cartelas tiveram os seguintes filhos - Joaquim Cartelas Vieira - Margarida Cartelas Vieira (dos Anjos), casou com Dr. Julião Valente dos Anjos; - José Luís Cartelas Vieira, casou com Maria Emília Vieira Braga, que por sua vez tiveram os seguintes filhos: - Margarida Cartelas Vieira Braga - José Cartelas Vieira Braga No entanto, penso que a Margarida deste postal estará ligada a José Luís Cartelas Vieira, porquanto, tal como ela, também este residia na Praça Passos Manuel, neste época, talvez a casa dos pais Assim, a destinatária do postal penso ser Margarida Cartelas Vieira (dos Anjos). De qualquer maneira, ainda não há nenhum trabalho escrito sobre esta família que tanto se destacou em Matosinhos. O Dr. Domingos Galante, no seu livro Matosinhos, Ontem, Hoje e Amanhã, a pág. 155 e ss, refere-se a esta família.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

POSTAIS COM HISTÓRIA 08



POSTAIS COM HISTÓRIA  - 08

 

O postal de hoje é um pedacinho de história local e vem elucidar qual o verdadeiro título de um quadro de Margarida Ramalho, que figura nos dois inventários publicados pela Câmara Municipal de Matosinhos como “ Ponte de Pau”. Ora, quem dá o nome á obra é o artista  que a fez.

O postal da imagem, que penso ser uma edição da própria Margarida Ramalho, está datado de Matosinhos, 7 de Março de 1911, ainda a pintora residia na antiga Alameda.

È um postal escrito e assinado pela própria, endereçado á grande artista Maria Amélia de Magalhães Carneiro.

E dúvidas não restam quanto ao título que Margarida Ramalho deu á sua pintura: “ Margens do Leça”, e não “Ponte de Pau” como bem sendo referido vulgarmente.

Julgo ser interessante deixar aqui algumas notas biográficas sobre a remetente e a destinatária do postal, assim relebrando duas artistas ligadas a Matosinhos, ambas tendo sido alunas de Júlio Costa.

Margarida Alcina Camacho Ramalho nasceu a 13.10.1875 em Matosinhos, e aqui faleceu a 28.01.1959, na Rua Silva Pinheiro, n.º 134.

Com a construção da Doca n.º 1, teve de se mudar para uma casa sita na Rua de S. Roque, a mesma que faz gaveto com a Rua dos Loureiros, hoje propriedade dos meus pais.

Está representada na coleção de pinturas da Câmara Municipal de Matosinhos e em muitas outras particulares. As suas obras já estiveram expostas em numerosas exposições realizadas no concelho.

Maria Amélia de Magalhães Carneiro nasceu a 02.03.18, no Porto, e faleceu na Rua de Brito Capelo, em 1970. Era irmã do Comendador José Magalhães Carneiro, que foi presidente da Câmara de Matosinhos, e prima de António Carneiro. Em 1940 veio residir para Leça da Palmeira, em casa da sua irmã Maria Helena e cunhado Norberto de Moura e Melo de Zagalo Ilharco, na Rua dr. Cardia Pires (antiga Rua Central), mudando-se mais tarde para casa de outra irmã, sita na Rua Brito Capelo, onde faleceu com 77 anos de idade, tendo deixado um precioso legado artístico.