segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

POSTAIS COM HISTÓRIA 10 - CENTRAL HOTEL





POSTAIS  COM HISTÓRIA 08



Publico mais um postal comercial, desta vez do Central Hotel, então sito no n.º 19 de Rua Brito Capelo.

È datado de 1 de Agosto de 1916 e endereçado á Fábrica de Licores Âncora, cujos escritórios comerciais se situavam na Rua do Alecrim, e fábrica na Rua de S. Cyro, 23 em Lisboa.

O remetente é um dos caixeiros-viajantes da empresa a dar notícia dos negócios que angariou.

Era diretor, e proprietário da firma, Leopoldo Wagner. Era filho de Ernesto Wagner, originário da saxónia, marceneiro e músico de grande qualidade. Em 1848, em sociedade com Carlos Augusto Habel, fundou em Portugal a primeira fábrica portuguesa de pianos. Era um notável trompetista, tendo sido professor daquele instrumento junto do rei D. Luís, o qual nutria por ele uma afeição muito especial e em 1849 nomeou-o Músico da Real Câmara. Ernesto Wagner foi, também professor no Conservatório Real de Lisboa, lecionando a cadeira de instrumentos metálicos. Na sua época foi o único reparador de instrumentos de corda que existiu em Portugal.

Na década de 40 do século XIX, Leopoldo Wagner fundou a Fábrica de Licores Âncora a qual tinha sede no Largo Marquês de Nisa, em Xabregas, prédio entretanto demolido.

Esta fábrica produziu alguns dos produtos que eram líderes nas suas categorias, nomeadamente o absinto. Fabricava ponche, rum, genebra, licor de pêssego, triplice, curação de hollanda, anis, licor de ouro, entre tantos outros. Os cartazes e os rótulos da Âncora eram de uma beleza incontornável. Houve sempre uma preocupação da elaboração e registo das marcas, dos modelos das garrafas, dos rótulos e publicidade da "Fábrica Âncora, destilação a vapor, xaropes espirituosos e licores"
Nos anos 80 do século passado encerrou devido ás novas regras da distribuição de bebidas, sendo transformado num antiquário que vendeu parte do espólio.

O Central Hotel começou a funcionar em Agosto de 1904, por iniciativa de José Alves de Brito e Francisco Xavier Gouveia, proprietários do Café Central, que se situava no prédio contíguo.

Foi demolido nos fins dos anos 40 do séc. passado, sendo construído, por Edmundo Ferreira, um novo edifício destinado ao mesmo ramo de actividade: O Hotel Porto-Mar, com o seu sempre recordado Café.

O Central Hotel, anteriormente propriedade de Mello, Braga & Barbosa, pertencia a Tomás Alves, nesta época.

Em 1916 praticava os seguintes preços:

Diárias: 1$000, 1$200 e 1$500 reis

Almoços: 500 reis;

Jantares: 600 reis.

Em 1934, segundo o Guia de Leixões, anunciava estes preços:

  34 quartos

  Diárias – 25$00, 30$00 e 40$00

  Criados ou chauffeurs – 15$00 (incluídas 3 refeições)

  Quarto – 10$00

  Almoço – 12$00

  Jantar – 15$00

  Banho frio  - 2$50

  Banho quente – 5$00

  Pequeno almoço – 3$00

  No local onde se situava o Central Hotel ergue-se hoje o edifício do Hotel Porto Mar.

Imagens - Anúncio no Jornal A Verdade, de 16-11-1916; Sala de Jantar do Central Hotel, do Guia de Leixões, 1934; Postal comercial do Central Hotel

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Alberto de Oliveira








O Dr. Alberto de Oliveira, tal como muitos outros do Porto, passava a temporada de Verão em Matosinhos, onde seus pais tinham uma casa sobranceira ao braço salgado do Rio Leça, do lado de Matosinhos, portanto. O braço salgado do rio Leça ia até á ponte Tavares.
Era uma casa em forma de chalet, cujas traseiras davam para o rio Leça.
Na imagem, vê-se a casa a que o texto se refere, em tom mais escuro e cujas traseiras vão até ao rio.
Alberto de Oliveira e António Nobre são os dois amigos a que se refere a Rua dos Dois amigos, em Leça da Palmeira.




sexta-feira, 7 de agosto de 2015

PROCISSÂO DO SENHOR DOS ENFERMOS DE 1955




A procissão do Senhor dos Enfermos, em 15 de Maio de 1955

     Esta procissão, que penso já não se realizar, destinava-se a visitar as pessoas doentes, deixando-lhes dinheiro, aos mais necessitados, e umas pétalas de flores.
       No ano em que fiz a comunhão solene, em 1968, participei na procissão desse ano, levando uma salva de prata com pétalas de flores, deixando algumas num prato que os doentes tinham na mesinha de cabeceira para o efeito.
       Publiquei anteriormente uma imagem doutra procissão, de 1950. Esta refere-se á realizada em 15 de Maio de 1955. Não sei precisar a rua, de momento, embora me pareça a rua Roberto Ivens.
       Alguém sabe identificar alguma pessoa na imagem?

segunda-feira, 27 de julho de 2015

O GRANDE CIRCO ROYAL EM MATOSINHOS - 1957


O GRANDE CIRCO ROYAL EM MATOSINHOS, em 1957.

 Entre os papeis velhos encontrei um prospecto datado de 26 de Junho de 1957, publicitando um espectáculo do Circo Royal, quando esteve em Matosinhos. Anunciava no programa ursos da Germânia e pombos amestrados. Infelizmente, mesmo pesquisando na imprensa local, não me foi possível determinar a que dia se refere o "hoje" do prospecto, nem o espaço temporal que cá permaneceu. Alguém se lembra?
O Circo Royal ainda existe, contando mais de 70 anos de idade.

quinta-feira, 5 de março de 2015

POSTAIS COM HISTÓRIA 09

POSTAIS COM HISTÓRIA Por Américo Freitas A Família Cartelas, proprietários agrícolas, é antiga em Matosinhos, e composta de numerosos membros. Alguns deles assumiram funções relevantes, tanto no município como nas instituições locais (vd. Viver em Matosinhos – 1850-1910, António J. Gomes) O postal de hoje é dirigido a um dos membros da família Cartelas, Margarida Cartelas, moradora na então, e hoje desaparecida, Praça Passos Manuel, ou a Alameda, como era mais conhecida. Após alguma pesquisa, não tenho a certeza quem é a destinatária, pois aparecem várias Margaridas nesta família, embora em diferentes épocas. Era, e é, vulgar as filhas tomarem o mesmo nome das mães, das avós e tias, dificultando imenso uma correcta identificação. De nome Margarida encontrei várias, como referi : José Cartelas Vieira tinha uma irmã, Margarida Cartelas Vieira (Guida pequena). Joaquim Luís Cartelas Vieira e Margarida da Silva Vieira Cartelas tiveram os seguintes filhos - Joaquim Cartelas Vieira - Margarida Cartelas Vieira (dos Anjos), casou com Dr. Julião Valente dos Anjos; - José Luís Cartelas Vieira, casou com Maria Emília Vieira Braga, que por sua vez tiveram os seguintes filhos: - Margarida Cartelas Vieira Braga - José Cartelas Vieira Braga No entanto, penso que a Margarida deste postal estará ligada a José Luís Cartelas Vieira, porquanto, tal como ela, também este residia na Praça Passos Manuel, neste época, talvez a casa dos pais Assim, a destinatária do postal penso ser Margarida Cartelas Vieira (dos Anjos). De qualquer maneira, ainda não há nenhum trabalho escrito sobre esta família que tanto se destacou em Matosinhos. O Dr. Domingos Galante, no seu livro Matosinhos, Ontem, Hoje e Amanhã, a pág. 155 e ss, refere-se a esta família.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

POSTAIS COM HISTÓRIA 08



POSTAIS COM HISTÓRIA  - 08

 

O postal de hoje é um pedacinho de história local e vem elucidar qual o verdadeiro título de um quadro de Margarida Ramalho, que figura nos dois inventários publicados pela Câmara Municipal de Matosinhos como “ Ponte de Pau”. Ora, quem dá o nome á obra é o artista  que a fez.

O postal da imagem, que penso ser uma edição da própria Margarida Ramalho, está datado de Matosinhos, 7 de Março de 1911, ainda a pintora residia na antiga Alameda.

È um postal escrito e assinado pela própria, endereçado á grande artista Maria Amélia de Magalhães Carneiro.

E dúvidas não restam quanto ao título que Margarida Ramalho deu á sua pintura: “ Margens do Leça”, e não “Ponte de Pau” como bem sendo referido vulgarmente.

Julgo ser interessante deixar aqui algumas notas biográficas sobre a remetente e a destinatária do postal, assim relebrando duas artistas ligadas a Matosinhos, ambas tendo sido alunas de Júlio Costa.

Margarida Alcina Camacho Ramalho nasceu a 13.10.1875 em Matosinhos, e aqui faleceu a 28.01.1959, na Rua Silva Pinheiro, n.º 134.

Com a construção da Doca n.º 1, teve de se mudar para uma casa sita na Rua de S. Roque, a mesma que faz gaveto com a Rua dos Loureiros, hoje propriedade dos meus pais.

Está representada na coleção de pinturas da Câmara Municipal de Matosinhos e em muitas outras particulares. As suas obras já estiveram expostas em numerosas exposições realizadas no concelho.

Maria Amélia de Magalhães Carneiro nasceu a 02.03.18, no Porto, e faleceu na Rua de Brito Capelo, em 1970. Era irmã do Comendador José Magalhães Carneiro, que foi presidente da Câmara de Matosinhos, e prima de António Carneiro. Em 1940 veio residir para Leça da Palmeira, em casa da sua irmã Maria Helena e cunhado Norberto de Moura e Melo de Zagalo Ilharco, na Rua dr. Cardia Pires (antiga Rua Central), mudando-se mais tarde para casa de outra irmã, sita na Rua Brito Capelo, onde faleceu com 77 anos de idade, tendo deixado um precioso legado artístico.

terça-feira, 21 de maio de 2013

POSTAIS COM HISTÓRIA 07



O postal hoje publicado, é um postal topográfico de Vila Pouca de Aguiar, vendo-se na imagem um trecho do traçado antigo da estrada 206 que liga Vila do Conde a Vila Pouca de Aguiar, onde entronca com a estrada nacional n.º 2 de Vila Real a Chaves. Em primeiro plano vê-se o caminho de ferro que ligava Vila Real a Chaves, hoje uma pista para ciclistas.

Circulou em 15.11.1918 do Porto para Matosinhos, tendo por destinatária Madame Aubert de Faria, residente na Rua do Godinho, n.º 69, hoje com o n.º 465. E aqui se encontra a ligação a Matosinhos.

Mas, quem era a destinatária, que tendo duas filhas, estas recebiam lições de uma professora do Porto?

Tratava-se da bisneta do General Junot, que aqui residiu até á sua morte.

O General Jean-Andoche Junot, que comandou a 1.ª Invasão francesa, casou com Laura S. Martin Permon.

A sua segunda filha chamava-se Constança Junot (Paris 1803 – 1888). Casou com Louis-Antoine Aubert.

Tiveram 3 filhos

 - George-Auguste-Antoine Aubert; Alfredo e Laura.

 Este George-Auguste-Antoine Aubert nasceu em Paris, em 1838 e faleceu em Donville em 16.04.1899. Casou em 1867 com Berthe Maréchal, belíssima mulher cujo retrato ainda recentemente se encontrava na casa dos seus trinetos em Portugal. Tiveram dois filhos

             - George Henri, falecido aos 18 anos;

             - Madelaine-Clemence Aubert, nascida em Lorient, a 08.06.1870. Vivia com a mãe, na Rua Halelin, 46, Paris, quando conheceu o que viria ser seu marido, de nacionalidade portuguesa, Bernardo Joaquim Vieira de Faria, nascido no Porto a 23.08.1856, filho do médico brasileiro Manuel Joaquim de Faria. Casaram em Passy no dia 1.º de Maio de 1900.

            Instalaram-se em Matosinhos onde Bernardo tinha casa própria e onde este faleceu a 26-12-1907.

            Tiveram duas filhas:

             - Marcelle Aubert de Faria (Matosinhos – 09-01-1901- 12-03-1984)

             - Georgette, nascida em Matosinhos  a 17-11-1903, falecida sem descendência.

            Eram estas as duas meninas, que recebiam as lições, referidas no postal.

            Marcelle Aubert de Faria foi uma das mulheres mais elegantes da sociedade portuense e lisboeta. Casou em Matosinhos a 14-09-1922 com D. José de Serpa Pimentel de Sousa Coutinho, sobrinho do Marquês de Gouveia que, em entre muitas outras coisas, foi Chefe do Estado-Maior do Corpo Expedicionário Portugués em França, na 1.º Guerra Mundial.

            Assim, a destinatária deste postal era Madelaine-Clemence Aubert de Faria, bisneta do General Junot, falecida em Matosinhos, a 17-03-1969, com quase 99 anos de idade.

Senhora de elevado porte moral e de carácter exemplar, iluminou a sociedade local e nacional do seu tempo. Eram visitas de sua casa, por exemplo, o Conde do Alto Mearim e Pedro Homem de Melo.

segunda-feira, 4 de março de 2013

POSTAIS COM HISTÓRIA 06




Em Abril de 1903 o Rei Eduardo VII, de Inglaterra, efectua uma visita a Portugal, a primeira visita que fez após a sua coroação. Entre muito outros “souvenires” do costume, fez-se edições de postais alusivos ao evento, como é o caso do postal que hoje publico.
Circulou de Lisboa para Matosinhos, ostentando um carimbo dos correios locais de 6 de Abril de 1903.
O que o liga a Matosinhos é o facto de ter sido endereçado á D. Adelaide Pires Teixeira  Neves,  da Farmácia Neves, sita na Rua Brito Capelo, por uma sua tia.
Anteriormente era a Farmácia Fortuna, mudando de nome por ter mudado de proprietário. Posteriormente, e pela mesma razão, se veio a chamar Farmácia Ferreira de Carvalho.
Ficava no Largo do Areal, n.º 5. Pertencia a Luís Vicente Fortuna. Com a sua morte, em 1888, passou a ser administrada por Abílio Teixeira Neves. Em 1890 passou a situar-se na Rua Brito Capelo, n.º 12, junto á capela de Santo Amaro.
Foi comprada em 1893 por José Eduardo Ferreira de Carvalho.
Em Fevereiro de 1902 é proprietário Alfredo Teixeira Neves, filho de Abílio Teixeira Neves, então no n.º 21 da Rua Brito Capelo.
Vendia xaropes , e outros,  com fórmulas elaboradas pelo Dr. Afonso Cordeiro.
O Dr. António de J. Gomes, no seu livro “ As actividades económicas de Matosinhos 1850-1910”, põe a hipótese de em 1907 esta farmácia correponder á do Guerreiro de Aboim, agora com novo proprietário.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

POSTAIS COM HISTÓRIA 05




O postal de hoje é da colecção Estrela Vermelha, de Carlos Pereira Cardoso, da Foz, co-autor do " O Livro de Ouro da Primeira Visita de D. Manuel II ao Norte de Portugal em 1908 - crónica fotográfica", onde se inclui o nosso concelho.
É um postal bastante escasso, cuja imagem é a do quartel dos Bombeiros de Matosinhos-Leça, que ficava á esquerda da saída da ponte de pedra, do lado de Leça da Palmeira.   
Pertenceu à colecção de Aires Pereira, o organizador da esposição do centenário da elevação de Matosnhos-Leça a Vila, conforme carimbo do mesmo ao alto á esquerda no verso.
Tem ainda a curiosa particularidade de estar datado de 5 de Outubro de 1910, o da implantação da república, tendo carimbo dos CTT de Braga no dia seguinte.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

POSTAIS COM HISTÓRIA 04

 n.º 1
n.º 2
n.º 3
n.º 4
 
 

 

O postal de hoje, não sendo topográfico, é uma peça da história local, sendo bastante raro,  pois nos anos em que já tenho de colecionismo, nunca vi outro á venda.
Há alguns anos que o jornal  “ O Comércio de Leixões” acabou, deixando um vazio insubstituível na imprensa local. Este jornal foi o sucessor do jornal “O Badalo”, cuja numeração, aliás, é contínua.
Decorria a vilegiatura do ano de 1908, e os estabelecimentos hoteleiros locais promoviam eventos de vária ordem para distrair os visitantes que por aqui veraneavam.
O hotel de Matosinhos não era excepção, conforme se pode ver na imagem n.º 2.
Vemos, nesse programa, ponto quinto, que ia ser executada uma polca denominada O badalo, da autoria do maestro Alberto Pimenta.
Esta polca foi tocada pela primeira vez em 6 de Setembro de 1908, no coreto da Alameda Passos Manuel, pela banda Recreio Artístico (imagem n.º 3).
A 13 de Setembro seguinte, o jornal O Badalo inseria uma artigo referente a esta polca (imagem n.º 4).
A 2 de Novembro deste mesmo ano, o Rei D. Manuel II visitava Matosinhos.

 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

POSTAIS COM HISTÓRIA 03

 
 

O postal da imagem é da edição de Glória, do Porto.
O Dr. António J. Gomes refere, no seu livro  “As actividades Económicas de Matosinhos – 1850-1910, a pág, 97: “No ínicio das épocas balneares eram igualmente feitos pedidos á Camara para a montagem de quiosques junto ás praias, onde se vendia tabaco e bebidas finas ( e postais ilustrados, acrescento eu). Manuel Joaquim Pimentel explorava um junto á praia D. Carlos, que ocupava apenas 4 m2 durante 3 meses, e António Miguel da Glória explorava outro na Rua de Santos Reis, portanto também muito perto da praia D. Carlos. Este segundo quiosque ocupava uma área de 11,52 m2 e estava em funcionamento durante seis meses.....isto no ano de 1909....”
Não posso, de momento, afirmar que será este o editor do postal, mas se-lo-á muito provalvelmente.
Trata-se de um postal com uma imagem muito vulgar e repetida por outros editores.
Este postal circulou do Porto para Penafiel em 11-03-1910, a oito meses da implantação da república, portanto.
Mais uma vez, este postal adquire outro interesse quando reparamos no destinatário: o Barão das Lages, da Casa das Lages, em Penafiel, mais propriamente, o 4.º barão deste nome, Luís de Lencastre Carneiro de Vasconcelos (Lagares 11.06.1882 - Milhundos 16.01.1933).
Ora, acerca deste 4.º Barão da Lages existe uma lenda tenebrosa.
Reza a lenda que o Barão suspeitava que a esposa o traía com um irmão dele. Cheio de ciúmes, amarrou-a a um cavalo e arrastou-a pela quinta fora, provocando-lhe a morte.
Mais tarde, esclarecido que tal não correspondia á verdade, arrependeu-se e viveu o resto da vida cheio de remorsos, remorsos estes que não o deixam descansar em paz, nem depois de morto. Diz-se que o seu fantasma, tal como o da mulher, ainda deambulam pela quinta.....

 


sábado, 19 de janeiro de 2013

POSTAIS COM HISTÓRIA 02

Ana de Castro Osório
 
 

O postal hoje publicado é bastante vulgar, do conhecido editor Araújo e Sobrinho, Porto. sendo o n.º 13 da série, datado de 23-08-1901.
No entanto, adquire outro valor quando atentamos na destinatária, a famosa Ana de Castro Osório, grande activista republicana, tal como seu marido, Paulino de Oliveira.
Para melhor conhecimento de quem foram esses republicanos, transcrevo algumas notas biográficas de cada um deles.
1 - Ana de Castro Osório, filha do juiz João Baptista de Castro e de Mariana Osório de Castro Cabral de Albuquerque, nasceu em Mangualde a 18 de Junho de 1872 num ambiente culturalmente privilegiado. Após uma infância e adolescência passada na sua terra natal, foi em Setúbal, para onde se muda com a família em 1895, que iniciou a sua carreira literária e política. Em 1898 casou com Francisco Paulino Gomes de Oliveira, poeta, jornalista, editor e activista republicano.
Sem nunca ter frequentado o ensino formal, Ana de Castro Osório cedo se lançou na edição de uma Colecção Para Crianças (Abril de 1897), actividade que a iria tornar nacional e internacionalmente conhecida. Com esta colecção, pretendeu criar uma literatura infantil de inspiração portuguesa, com contos próprios para aquela faixa etária. Assim, a Biblioteca Infantil Ilustrada obteve logo no ano da sua edição o Grande Diploma de Honra na Exposição da Imprensa. Foi autora de livros destinados ao ensino primário geral e ensino primário superior, concorrendo ao concurso aberto em 1920 para escolha de manuais escolares com O Livrinho Encantador, Os Nossos Amigos, Lendo e Aprendendo, Viagens Aventurosas de Felício e Felizarda e A Minha Pátria. Na memória justificativa com que se apresentou ao referido concurso, explicava que não “se constrói uma sociedade, nem se reforma uma Pátria se as crianças não forem desde os primeiros anos dirigidas, instruídas e disciplinadas para um alto fim de grandeza e idealismo superior da Pátria a que pertencem (…)”
Desde muito cedo Ana de Castro Osório enveredou pelo jornalismo, não só publicando muitos artigos que abordavam temas ligados às crianças, às mulheres e à defesa da pátria, mas também dirigindo periódicos como Sociedade Futura (1902), O Jornal dos Pequeninos (1907-1908), A Mulher e a Criança (1909-1910), A Semeadora (1915-1918). Desempenhou ainda um papel relevante no jornal setubalense O Radical (1910-1911).
Em 1907, Ana de Castro Osório filiou-se na Loja Maçónica Humanidades, adoptando como nome simbólico Leonor da Fonseca Pimentel. Feminista empenhada defendeu pela pena e pela acção a educação e instrução das crianças e das mulheres, a independência económica feminina, a igualdade de direitos entre os dois sexos, o acesso da mulher a diversas profissões, o sufrágio feminino restrito, a igualdade de direitos entre os cônjuges, a lei do divórcio e o direito «a salário igual para trabalho igual». Politicamente comprometida, republicana convicta, Ana de Castro Osório considerava que o papel da mulher não podia continuar a resumir-se ao de mãe e esposa, pelo que, para conseguir romper com as dependências tradicionais, a mulher deveria ser economicamente independente, o que implicava uma educação e instrução adequadas e em pé de igualdade com a educação ministrada ao sexo masculino. Os poderes públicos deveriam, portanto, dar uma atenção redobrada à educação
feminina pois eram as mulheres as principais educadoras e formadoras das crianças.

Como feminista empenhada, Ana de Castro Osório começou por dirigir, em 1907, o Grupo Português de Estudos Feministas, uma associação feminista ligada ao Partido Republicano Português. Ana de Castro Osório considerava a República, não como o regime ideal, mas como aquele que poderia trazer nova esperança para o país, sobretudo nos planos social, educativo e moral. Assim, apoiou a Lei do Divórcio e as Leis da Família, da autoria de Afonso Costa e publicadas durante o primeiro governo provisório republicano.
 Em 1911 acompanhou o marido ao Brasil que fora nomeado cônsul em S. Paulo. Antes de partir, fundou com Carolina Beatriz Ângelo a Associação de Propaganda Feminista, a primeira organização sufragista portuguesa. O seu trabalho em prol das crianças mais necessitadas tornou-se bem evidente no apoio que deu à Obra Maternal, criada no âmbito da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas por Maria Veleda. Mais tarde, procurou lanças as Ligas de Bondade, através do Grémio Carolina Ângelo, que procuravam afastar as crianças da delinquência e da criminalidade. Ana de Castro Osório advogou a criação de creches para filhos das mulheres operárias. Com o deflagrar da 1ª Guerra Mundial, fundou a associação Pela Pátria, com o fito de trabalhar junto das famílias e dos soldados mobilizados e em 1916 participa na organização da Cruzada das Mulheres Portuguesas.
Ana de Castro Osório que esteve, desde o primeiro momento, com os defensores da entrada de Portugal no primeiro grande conflito mundial do século XX ao lado de países como a França, a Inglaterra e a Bélgica, passou a escrever quase em exclusivo, sobre a defesa da Pátria, que considerava a grande questão nacional. Contudo, vai-se desiludindo com a República, pois esta não lhe atribuiu nenhum papel relacionado com a instrução, com a demora na abertura de concurso para a provação dos novos manuais escolares e pela aposentação forçada de seu pai.
Ana de Castro Osório desiludira-se com a República, que apelidara de incompetentes, uma vez que o povo continuava, como na Monarquia, sem instrução e assistência. Na década de 20, a escritora e feminista deixava-se tocar pela onde de Nacionalismo que submergia Portugal, continuando, contudo, racionalista e defensora da liberdade de raciocínio.
A 23 de Março de 1935, com 62 anos de idade, Ana de Castro Osório morria em Lisboa. O seu funeral foi acompanhado por personalidades bem diferenciadas como Fernanda de Castro e Maria Veleda, Regina Quintanilha, João de Barros, António Sérgio, Rodrigues Miguéis, Aquilino Ribeiro, Hernâni Cidade.
2 - Paulino de Oliveira : escritor e poeta português, nasceu em 1864, em Setúbal, e morreu em 1914, em São Paulo, no Brasil, país onde se exilou após a revolta de 31 de janeiro de 1891 (tentativa de implantar a República em Portugal).
Paulino de Oliveira, quando ainda morava em Setúbal, foi jornalista em publicações republicanas. no Brasil, dedicou-se à poesia e à literatura infanto-juvenil, neste último caso em parceria com a mulher, a escritora Ana de Castro Osório. Nos seus primeiros anos de escritor usou o pseudónimo Anúplio de Oliveira.

Ainda no Brasil, Paulino de Oliveira foi cônsul de Portugal em São Paulo, entre 1911 e 1914.