quinta-feira, 5 de março de 2015

POSTAIS COM HISTÓRIA 09

POSTAIS COM HISTÓRIA Por Américo Freitas A Família Cartelas, proprietários agrícolas, é antiga em Matosinhos, e composta de numerosos membros. Alguns deles assumiram funções relevantes, tanto no município como nas instituições locais (vd. Viver em Matosinhos – 1850-1910, António J. Gomes) O postal de hoje é dirigido a um dos membros da família Cartelas, Margarida Cartelas, moradora na então, e hoje desaparecida, Praça Passos Manuel, ou a Alameda, como era mais conhecida. Após alguma pesquisa, não tenho a certeza quem é a destinatária, pois aparecem várias Margaridas nesta família, embora em diferentes épocas. Era, e é, vulgar as filhas tomarem o mesmo nome das mães, das avós e tias, dificultando imenso uma correcta identificação. De nome Margarida encontrei várias, como referi : José Cartelas Vieira tinha uma irmã, Margarida Cartelas Vieira (Guida pequena). Joaquim Luís Cartelas Vieira e Margarida da Silva Vieira Cartelas tiveram os seguintes filhos - Joaquim Cartelas Vieira - Margarida Cartelas Vieira (dos Anjos), casou com Dr. Julião Valente dos Anjos; - José Luís Cartelas Vieira, casou com Maria Emília Vieira Braga, que por sua vez tiveram os seguintes filhos: - Margarida Cartelas Vieira Braga - José Cartelas Vieira Braga No entanto, penso que a Margarida deste postal estará ligada a José Luís Cartelas Vieira, porquanto, tal como ela, também este residia na Praça Passos Manuel, neste época, talvez a casa dos pais Assim, a destinatária do postal penso ser Margarida Cartelas Vieira (dos Anjos). De qualquer maneira, ainda não há nenhum trabalho escrito sobre esta família que tanto se destacou em Matosinhos. O Dr. Domingos Galante, no seu livro Matosinhos, Ontem, Hoje e Amanhã, a pág. 155 e ss, refere-se a esta família.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

POSTAIS COM HISTÓRIA 08



POSTAIS COM HISTÓRIA  - 08

 

O postal de hoje é um pedacinho de história local e vem elucidar qual o verdadeiro título de um quadro de Margarida Ramalho, que figura nos dois inventários publicados pela Câmara Municipal de Matosinhos como “ Ponte de Pau”. Ora, quem dá o nome á obra é o artista  que a fez.

O postal da imagem, que penso ser uma edição da própria Margarida Ramalho, está datado de Matosinhos, 7 de Março de 1911, ainda a pintora residia na antiga Alameda.

È um postal escrito e assinado pela própria, endereçado á grande artista Maria Amélia de Magalhães Carneiro.

E dúvidas não restam quanto ao título que Margarida Ramalho deu á sua pintura: “ Margens do Leça”, e não “Ponte de Pau” como bem sendo referido vulgarmente.

Julgo ser interessante deixar aqui algumas notas biográficas sobre a remetente e a destinatária do postal, assim relebrando duas artistas ligadas a Matosinhos, ambas tendo sido alunas de Júlio Costa.

Margarida Alcina Camacho Ramalho nasceu a 13.10.1875 em Matosinhos, e aqui faleceu a 28.01.1959, na Rua Silva Pinheiro, n.º 134.

Com a construção da Doca n.º 1, teve de se mudar para uma casa sita na Rua de S. Roque, a mesma que faz gaveto com a Rua dos Loureiros, hoje propriedade dos meus pais.

Está representada na coleção de pinturas da Câmara Municipal de Matosinhos e em muitas outras particulares. As suas obras já estiveram expostas em numerosas exposições realizadas no concelho.

Maria Amélia de Magalhães Carneiro nasceu a 02.03.18, no Porto, e faleceu na Rua de Brito Capelo, em 1970. Era irmã do Comendador José Magalhães Carneiro, que foi presidente da Câmara de Matosinhos, e prima de António Carneiro. Em 1940 veio residir para Leça da Palmeira, em casa da sua irmã Maria Helena e cunhado Norberto de Moura e Melo de Zagalo Ilharco, na Rua dr. Cardia Pires (antiga Rua Central), mudando-se mais tarde para casa de outra irmã, sita na Rua Brito Capelo, onde faleceu com 77 anos de idade, tendo deixado um precioso legado artístico.

terça-feira, 21 de maio de 2013

POSTAIS COM HISTÓRIA 07



O postal hoje publicado, é um postal topográfico de Vila Pouca de Aguiar, vendo-se na imagem um trecho do traçado antigo da estrada 206 que liga Vila do Conde a Vila Pouca de Aguiar, onde entronca com a estrada nacional n.º 2 de Vila Real a Chaves. Em primeiro plano vê-se o caminho de ferro que ligava Vila Real a Chaves, hoje uma pista para ciclistas.

Circulou em 15.11.1918 do Porto para Matosinhos, tendo por destinatária Madame Aubert de Faria, residente na Rua do Godinho, n.º 69, hoje com o n.º 465. E aqui se encontra a ligação a Matosinhos.

Mas, quem era a destinatária, que tendo duas filhas, estas recebiam lições de uma professora do Porto?

Tratava-se da bisneta do General Junot, que aqui residiu até á sua morte.

O General Jean-Andoche Junot, que comandou a 1.ª Invasão francesa, casou com Laura S. Martin Permon.

A sua segunda filha chamava-se Constança Junot (Paris 1803 – 1888). Casou com Louis-Antoine Aubert.

Tiveram 3 filhos

 - George-Auguste-Antoine Aubert; Alfredo e Laura.

 Este George-Auguste-Antoine Aubert nasceu em Paris, em 1838 e faleceu em Donville em 16.04.1899. Casou em 1867 com Berthe Maréchal, belíssima mulher cujo retrato ainda recentemente se encontrava na casa dos seus trinetos em Portugal. Tiveram dois filhos

             - George Henri, falecido aos 18 anos;

             - Madelaine-Clemence Aubert, nascida em Lorient, a 08.06.1870. Vivia com a mãe, na Rua Halelin, 46, Paris, quando conheceu o que viria ser seu marido, de nacionalidade portuguesa, Bernardo Joaquim Vieira de Faria, nascido no Porto a 23.08.1856, filho do médico brasileiro Manuel Joaquim de Faria. Casaram em Passy no dia 1.º de Maio de 1900.

            Instalaram-se em Matosinhos onde Bernardo tinha casa própria e onde este faleceu a 26-12-1907.

            Tiveram duas filhas:

             - Marcelle Aubert de Faria (Matosinhos – 09-01-1901- 12-03-1984)

             - Georgette, nascida em Matosinhos  a 17-11-1903, falecida sem descendência.

            Eram estas as duas meninas, que recebiam as lições, referidas no postal.

            Marcelle Aubert de Faria foi uma das mulheres mais elegantes da sociedade portuense e lisboeta. Casou em Matosinhos a 14-09-1922 com D. José de Serpa Pimentel de Sousa Coutinho, sobrinho do Marquês de Gouveia que, em entre muitas outras coisas, foi Chefe do Estado-Maior do Corpo Expedicionário Portugués em França, na 1.º Guerra Mundial.

            Assim, a destinatária deste postal era Madelaine-Clemence Aubert de Faria, bisneta do General Junot, falecida em Matosinhos, a 17-03-1969, com quase 99 anos de idade.

Senhora de elevado porte moral e de carácter exemplar, iluminou a sociedade local e nacional do seu tempo. Eram visitas de sua casa, por exemplo, o Conde do Alto Mearim e Pedro Homem de Melo.

segunda-feira, 4 de março de 2013

POSTAIS COM HISTÓRIA 06




Em Abril de 1903 o Rei Eduardo VII, de Inglaterra, efectua uma visita a Portugal, a primeira visita que fez após a sua coroação. Entre muito outros “souvenires” do costume, fez-se edições de postais alusivos ao evento, como é o caso do postal que hoje publico.
Circulou de Lisboa para Matosinhos, ostentando um carimbo dos correios locais de 6 de Abril de 1903.
O que o liga a Matosinhos é o facto de ter sido endereçado á D. Adelaide Pires Teixeira  Neves,  da Farmácia Neves, sita na Rua Brito Capelo, por uma sua tia.
Anteriormente era a Farmácia Fortuna, mudando de nome por ter mudado de proprietário. Posteriormente, e pela mesma razão, se veio a chamar Farmácia Ferreira de Carvalho.
Ficava no Largo do Areal, n.º 5. Pertencia a Luís Vicente Fortuna. Com a sua morte, em 1888, passou a ser administrada por Abílio Teixeira Neves. Em 1890 passou a situar-se na Rua Brito Capelo, n.º 12, junto á capela de Santo Amaro.
Foi comprada em 1893 por José Eduardo Ferreira de Carvalho.
Em Fevereiro de 1902 é proprietário Alfredo Teixeira Neves, filho de Abílio Teixeira Neves, então no n.º 21 da Rua Brito Capelo.
Vendia xaropes , e outros,  com fórmulas elaboradas pelo Dr. Afonso Cordeiro.
O Dr. António de J. Gomes, no seu livro “ As actividades económicas de Matosinhos 1850-1910”, põe a hipótese de em 1907 esta farmácia correponder á do Guerreiro de Aboim, agora com novo proprietário.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

POSTAIS COM HISTÓRIA 05




O postal de hoje é da colecção Estrela Vermelha, de Carlos Pereira Cardoso, da Foz, co-autor do " O Livro de Ouro da Primeira Visita de D. Manuel II ao Norte de Portugal em 1908 - crónica fotográfica", onde se inclui o nosso concelho.
É um postal bastante escasso, cuja imagem é a do quartel dos Bombeiros de Matosinhos-Leça, que ficava á esquerda da saída da ponte de pedra, do lado de Leça da Palmeira.   
Pertenceu à colecção de Aires Pereira, o organizador da esposição do centenário da elevação de Matosnhos-Leça a Vila, conforme carimbo do mesmo ao alto á esquerda no verso.
Tem ainda a curiosa particularidade de estar datado de 5 de Outubro de 1910, o da implantação da república, tendo carimbo dos CTT de Braga no dia seguinte.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

POSTAIS COM HISTÓRIA 04

 n.º 1
n.º 2
n.º 3
n.º 4
 
 

 

O postal de hoje, não sendo topográfico, é uma peça da história local, sendo bastante raro,  pois nos anos em que já tenho de colecionismo, nunca vi outro á venda.
Há alguns anos que o jornal  “ O Comércio de Leixões” acabou, deixando um vazio insubstituível na imprensa local. Este jornal foi o sucessor do jornal “O Badalo”, cuja numeração, aliás, é contínua.
Decorria a vilegiatura do ano de 1908, e os estabelecimentos hoteleiros locais promoviam eventos de vária ordem para distrair os visitantes que por aqui veraneavam.
O hotel de Matosinhos não era excepção, conforme se pode ver na imagem n.º 2.
Vemos, nesse programa, ponto quinto, que ia ser executada uma polca denominada O badalo, da autoria do maestro Alberto Pimenta.
Esta polca foi tocada pela primeira vez em 6 de Setembro de 1908, no coreto da Alameda Passos Manuel, pela banda Recreio Artístico (imagem n.º 3).
A 13 de Setembro seguinte, o jornal O Badalo inseria uma artigo referente a esta polca (imagem n.º 4).
A 2 de Novembro deste mesmo ano, o Rei D. Manuel II visitava Matosinhos.

 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

POSTAIS COM HISTÓRIA 03

 
 

O postal da imagem é da edição de Glória, do Porto.
O Dr. António J. Gomes refere, no seu livro  “As actividades Económicas de Matosinhos – 1850-1910, a pág, 97: “No ínicio das épocas balneares eram igualmente feitos pedidos á Camara para a montagem de quiosques junto ás praias, onde se vendia tabaco e bebidas finas ( e postais ilustrados, acrescento eu). Manuel Joaquim Pimentel explorava um junto á praia D. Carlos, que ocupava apenas 4 m2 durante 3 meses, e António Miguel da Glória explorava outro na Rua de Santos Reis, portanto também muito perto da praia D. Carlos. Este segundo quiosque ocupava uma área de 11,52 m2 e estava em funcionamento durante seis meses.....isto no ano de 1909....”
Não posso, de momento, afirmar que será este o editor do postal, mas se-lo-á muito provalvelmente.
Trata-se de um postal com uma imagem muito vulgar e repetida por outros editores.
Este postal circulou do Porto para Penafiel em 11-03-1910, a oito meses da implantação da república, portanto.
Mais uma vez, este postal adquire outro interesse quando reparamos no destinatário: o Barão das Lages, da Casa das Lages, em Penafiel, mais propriamente, o 4.º barão deste nome, Luís de Lencastre Carneiro de Vasconcelos (Lagares 11.06.1882 - Milhundos 16.01.1933).
Ora, acerca deste 4.º Barão da Lages existe uma lenda tenebrosa.
Reza a lenda que o Barão suspeitava que a esposa o traía com um irmão dele. Cheio de ciúmes, amarrou-a a um cavalo e arrastou-a pela quinta fora, provocando-lhe a morte.
Mais tarde, esclarecido que tal não correspondia á verdade, arrependeu-se e viveu o resto da vida cheio de remorsos, remorsos estes que não o deixam descansar em paz, nem depois de morto. Diz-se que o seu fantasma, tal como o da mulher, ainda deambulam pela quinta.....