domingo, 20 de setembro de 2009

OS LAVADOUROS DE LEÇA


Os lavadouros de Leça da Palmeira foram inaugurados em 1937, criando assim condições para que as lavadeiras usufruíssem de maior comodidade. Era um dos maiores lavadouros de Portugal, com centenas de pias.
Esta é uma belíssima imagem, vendo-se em primeiro plano os dois pontões em pedra que permitiam o acesso entre o moinho e os terrenos entre os dois braços do rio, o doce (que é este na imagem) e o salgado.
Também como pormenor interessante, vemos o muro que separava a zona ribeirinha da estrada e a ladeavam. O muro da esquerda ainda hoje existe, em parte.
Ampliando a imagem, no canto superior direito, vemos a estrada já em plano muito elevado, pois aqui na Amorosa começava a subida íngreme para o lugar de Gonçalves.
Esta imagem foi-me gentilmente cedida por um seguidor deste blogue, que usa o nome de jpunk, a quem deixo aqui um agradecimento.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A ANTIGA CÂMARA DE MATOSINHOS



Após obras de adaptação, a Câmara Municipal de Matosinhos instalou-se no edifício da Rua Brito Capelo em 1934, pois desde 1924 estava no edifício da Rua Conde alto Mearim, onde hoje se encontra o Gabinete de Arqueologia e História. Da Rua Brito Capelo saiu para o actual edifício, nos antigos jardins do Palácio do Visconde de Trevões, Emídio Ló Ferreira.
Este prédio da Rua Brito Capelo era propriedade do “brasileiro” Costa Monteiro e tinha frente também para a Rua França Junior, antiga Rua do Portelo.
Até aqui, todos sabem.
Já muito poucos recordam Vitorino Casal Ribeiro, que instalou uma pensão precisamente no edifício da antiga câmara.
Veio jovem de Espinho, de onde era natural, para Matosinhos, para empregado na Caixa Geral de Depósitos.
Após abandonar esse emprego, foi comerciante de vinhos na Rua Gago Coutinho.
Instalou uma pensão, como se disse, no edifício da antiga câmara.
Após outros negócios, que presumo não terem corrido bem, dedicou-se ás feiras, explorando diversões. Tinha também uma barraca de farturas, que intitulou O Rei das Farturas.
Certamente alguns se lembrarão da sua barraca e da sua pessoa, conhecido que ficou pelo Casal das farturas.
A sua barraca de farturas era a preferida da minha família, recordo-o perfeitamente.
Já lá vão mais de 40 anos.
Tem esta imagem também de curioso o facto de estarem pendurados nas grades anúncios para espectáculos, nomeadamente no Casino de Matosinhos.
Clique na imagem para ampliar e deleite-se com os pormenores (central hotel, etc.)
É uma imagem muito rara, julgo que dos anos 20, ou mesmo anterior.
Foi-me oferecida por mãos amigas.

sábado, 12 de setembro de 2009

A PONTE DOS BRITO E CUNHA SOBRE O RIO LEÇA


Os Brito e Cunha, da Casa do Ribeirinho, eram senhores de grandes extensões de terrenos em Matosinhos, nomeadamente nas cercanias da sua casa.
Entre os dois braços do rio Leça, o doce e o salgado, possuíam terrenos que antes foram salinas.
Algumas dessas salinas foram adaptadas para a criação de peixes.
Para aceder a esses terrenos existia uma ponte, que é a que vemos na imagem.
Este braço do rio é o salgado que, por correr a uma quota inferior, sofria a influência das marés.
Vemos veraneantes passeando de barco e uma família picnicando nas margens.
Belo trecho do rio Leça, para sempre desaparecido.
Na verdade, Matosinhos pagou um altíssimo tributo ao progresso.
Talvez mais do que o que podia pagar.
Clique na imagem, de 1908, para a ampliar.

domingo, 6 de setembro de 2009

RUA BRITO CAPELO 2




Voltando à Rua Brito Capelo, vemos duas imagens separadas no tempo por mais de cem anos. A 1.ª imagem é um postal ilustrado do início da 1.ª década dos séc. XX (1900), da série de alberto ferreira. n.º 34, e a 2.ª é da minha autoria, obtida em 23.09.2006.
No local da primeira casa á esquerda está hoje o edifício da Caixa Geral de Depósitos, seguia-se um quintal, agora a Casa Ferreira, e o edifício da Foto-Mar, com seus azulejos amarelos, ainda existente. Os edifícios seguintes até á Rua 1.º de Dezembro são os mesmos, embora com obras de alteração.
A casa mais alta á direita, indicada pela seta, é a que ficava na esquina da Rua 1.º de Dezembro, agora um edifício de apartamentos com o rés do chão destinado ao comércio. Antes era uma casa de fazendas, vendendo fatos, sobretudos, etc. Também no rés do chão desse mesmo prédio, com entrada pelo n.º 318 da Rua 1.º de Dezembro, funcionou a casa de pasto A Palmeirinha, de Fernando Amaral,
A rua Brito Capelo começou por se denominar Juncal de Cima.
Por proposta do vereador Joaquim do Rosário Ferreira, a sessão camarária de 18.12.1890 deliberou mudar o nome da rua para a designação actual, bem como dar nova designação a muitas outras artérias e largos da então Vila de Matosinhos.
Já agora, aqui fica a nota de que Matosinhos passou a escrever-se só com um “t” em 1909 mas, curiosamente, ganhou o “z” (Matozinhos).

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O PRADO DE MATOSINHOS 2



Mantendo-nos ainda no prado de Matosinhos, que ladeava a estrada que vinha da Foz por Carreiros (por esta altura a Foz ainda pertencia ao concelho de Bouças), vemos nesta imagem várias mulheres, acompanhadas de duas criança, presumivelmente suas filhas, a lavar roupa no ribeiro do prado. Tem esta imagem de curiosa o verem-se as ovelhas a pastar e uma mulher com a gamela de madeira á cabeça, tal como se usava na época.

Por vezes, até custa a acreditar que Matosinhos já foi assim, de grande beleza, de um boculismo quase silvestre, rústico e bravo, digno da prosa de Almeida Garret, de Alexandre Herculano, ou da poesia de Guerra Junqueiro, Teixeira de Pascoais e António Correia de Oliveira.
Esta imagem é também importante para o estudo do traje, da maneira de vestir.

Trata-se de um postal ilustrado da série Emílio Biel, n.º 85.

Clique na imagem e descrubra os pormenores.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O PRADO


Ainda hoje é vulgar ouvirmos pessoas referirem-se ao prado de Matosinhos ou ao ribeiro que o atravessava.
Mas poucas pessoas sabem o que era o prado e ainda menos pessoas o viram.
Nos fins do séc XIX início do séc. passado ainda a vila de Matosinhos terminava na Rua do Godinho, após a qual existia um enorme descampado a que se chamava o prado.
Nesta imagem podemos ver parte do prado, o ribeiro que o atravessava, onde as mulheres iam lavar a roupa e o senhor do Padrão, ainda isolado. A rua Heróis de França e Av. Serpa Pinto ainda não existiam neste local.
Neste prado era vulgar verem-se ovelhas pastando.
O Ribeiro do prado tinha peixes e outra vida aquática.
Este era um dos locais favoritos para a rapaziada brincar.
Este terreno que se vê na imagem, cerca de 1910 era propriedade do Conde de Leça, José Leite Nogueira Pinto e de seu irmão Ernesto. Por esta altura começou a ser vendido em talhões.
Também neste terreno, mesmo em frente ao Senhor do Padrão esteve instalada a 1.ª praça de Touros de Matosinhos.

sábado, 22 de agosto de 2009

LEÇA DA PALMEIRA E A PRAIA VELHA




A imagem que hoje publico é de um raro postal da série Emílio Biel, com o n.º 168, da minha já enorme colecção.
É correcto datar a imagem dos primeiros anos da primeira década do séc. XX.
O postal circulou em 30-04-1906, há mais de 103 anos!
É uma vista de Leça e de Matosinhos. De Leça vê-se desde a estação do caminho-de-ferro, em frente ao Hotel leixões até á ponte do comboio sobre o rio Leça.
Clique na imagem e veja:
- A sala de visitas de Leça da Palmeira;
- O comboio parado na Rua Heróis de França;
- a bandeira hasteada no castelo de Leça;
- uma bateira e outras embarcações varadas na praia velha.
- nomes de barcos: Sagres, Devoto de S. José, Sr.ª da Nazareth; Napolião II; Paraíso; a quem pertenceriam?